Manifesto

Cada instrumento que sai da minha mesa de trabalho passa inteiramente pelas minhas mãos — do corte da madeira ao último polimento do verniz. Uso gabaritos e guias para manter a precisão estrutural, mas cada corte, lixamento e ajuste final é feito manualmente, peça por peça — nada é duplicado por máquina ou molde de produção em série.

Isso significa uma coisa muito clara: você não está encomendando um produto. Está encomendando um instrumento.

O que é rigorosamente controlado: A estrutura, a afinação, a resposta sonora, a ação das cordas, a qualidade da madeira e do verniz — tudo isso segue um padrão técnico exigente, testado e repetido em cada peça. É o que garante que o instrumento toque bem, envelheça bem e dure décadas.

O que é naturalmente variável: A superfície de um instrumento feito à mão carrega o processo que o originou. Uma leve ondulação no verniz sob luz rasante — especialmente quando se trata de goma-laca, um verniz que poderíamos dizer ter "vida própria" e reage com facilidade à temperatura, à umidade, ao suor das mãos e a outros fatores do ambiente — uma variação sutil de tom entre um lado e o outro da madeira, ou uma pincelada que respira de um jeito ligeiramente diferente da anterior. Nada disso é ausência de cuidado. É a assinatura de um processo humano, o mesmo tipo de marca que valoriza um vinho artesanal, uma peça de cerâmica ou um instrumento de luteria centenário. Nenhuma dessas variações compromete o som, a estrutura ou a durabilidade do instrumento.

Sobre afinação e a física dos instrumentos de corda: Nenhum instrumento de corda é absolutamente afinado em todas as posições e acordes ao mesmo tempo — isso não é uma falha de construção, é física. Os trastes de um violão ou de uma viola caipira são posicionados de acordo com o temperamento igual, um sistema matemático que busca um meio-termo, dividindo a oitava em partes iguais para permitir que o instrumento toque em qualquer tonalidade. A consequência inevitável desse meio-termo é que alguns acordes, em algumas regiões do braço, soam ligeiramente menos puros do que outros — um fenômeno presente em todo instrumento de corda bem construído, independente do luthier, da marca ou do preço. Isso não indica um problema na construção nem na regulagem: é uma característica inerente à própria relação entre cordas, trastes e temperamento.

Sobre o profissional que constrói o seu instrumento: Não existe receita pronta para construir um instrumento. Existem várias formas de se chegar a um bom resultado e cada luthier desenvolve a sua ao longo de anos de bancada. Isso significa que meu processo está em constante aperfeiçoamento — cada instrumento que faço me ensina algo que o anterior não ensinou. Uma das minhas metas como profissional é justamente essa: nunca me acomodar, nunca achar que já sei o suficiente, sempre revisar cada etapa antes de considerá-la pronta. É esse cuidado — e não a repetição automática de uma fórmula fixa — que garante o melhor resultado possível em cada peça.

Se você busca a garantia absoluta de zero variação — um padrão que sequer a produção em série consegue sustentar de peça a peça — talvez eu não seja o profissional certo para você neste momento.

Se você procura um instrumento único, construído por alguém que está fisicamente presente em cada etapa do processo, este é o lugar certo.

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